Canadá proíbe entrada de viajantes estrangeiros vindos da RDC

Diante da epidemia de Ebola que assola a República Democrática do Congo (RDC), o Canadá implementou restrições fronteiriças inéditas. Desde 20 de julho de 2026, os estrangeiros que estiveram na RDC nos últimos 21 dias têm a entrada negada em território canadense. Essa medida, tomada pela Agência de Saúde Pública do Canadá (ASPC), visa reduzir os riscos de introdução e propagação do vírus. Mas, concretamente, quem é afetado? Quais são as exceções? E qual é o impacto sobre os viajantes e a diáspora?
Quem é afetado pela proibição de entrada no Canadá?
A proibição se aplica a todos os estrangeiros (não cidadãos canadenses, não residentes permanentes) que estiveram na RDC nos 21 dias anteriores à chegada ao Canadá. Isso inclui visitantes, trabalhadores temporários, estudantes estrangeiros e requerentes de asilo. As transportadoras aéreas também têm a obrigação legal, sob a Lei de Aeronáutica, de recusar o embarque desses viajantes em qualquer voo com destino ao Canadá. Assim, mesmo que uma pessoa possua um visto válido, ela não poderá embarcar se tiver transitado recentemente pela RDC.
Quais são as isenções?
Os cidadãos canadenses, os residentes permanentes e as pessoas inscritas sob a Lei dos Índios estão isentos dessa proibição. No entanto, permanecem sujeitos a medidas sanitárias reforçadas na chegada: avaliação médica, controle de temperatura e quarentena obrigatória de 14 dias. Os trabalhadores humanitários que retornam ao país também são tratados de forma segura. O governo esclarece que essas isenções visam garantir a continuidade das operações essenciais enquanto protegem a saúde pública.
Que outras medidas Ottawa tomou?
Além da proibição de entrada, o Canadá suspendeu por 90 dias a emissão de certos documentos de imigração para pessoas originárias da RDC, do Sudão do Sul e de Uganda. Isso inclui vistos de residente temporário, autorizações de estudo e trabalho, bem como autorizações eletrônicas de viagem (AVE). Segundo as autoridades, mais de 12.600 documentos relacionados à RDC seriam afetados. Além disso, controles sanitários mais rígidos estão em vigor em todos os pontos de entrada, com formulário obrigatório de declaração de saúde.
Como as transportadoras aéreas estão envolvidas?
As companhias aéreas devem verificar, antes do embarque, se os passageiros com destino ao Canadá estiveram na RDC nos últimos 21 dias. Se sim, devem negar o acesso à aeronave. Essa obrigação já teve consequências concretas: por exemplo, uma estudante congolesa da Universidade de Quebec em Montreal (UQAM) não pôde embarcar em um voo da Air France em Paris, apesar de não ter visitado a RDC há um ano. A companhia contatou as autoridades do aeroporto de Montreal, que confirmaram a proibição devido ao seu passaporte congolês.
Qual é o impacto na diáspora congolesa no Canadá?
A comunidade congolesa de Montreal, uma das mais importantes do país, foi particularmente afetada. Viajantes em férias ou a trabalho tiveram o embarque negado, às vezes no último minuto. Robert M’Vondo, membro do conselho de administração da Comunidade Congolesa do Canadá, expressou sua decepção, embora compreenda a necessidade de proteger a população. Ele pede que o governo congolês dialogue com Ottawa para defender os interesses dos viajantes. Para alguns, essas restrições acarretam custos imprevistos e separações familiares prolongadas.
Até quando essas restrições estarão em vigor?
A proibição de entrada e as medidas associadas são temporárias. Entraram em vigor em 20 de julho de 2026 às 23h59 HAE e permanecerão até 29 de agosto de 2026 às 23h59 HAE. A suspensão dos documentos de imigração, por sua vez, vai até 28 de agosto de 2026. O governo federal reavaliará a situação de acordo com a evolução da epidemia na RDC e as recomendações da Organização Mundial da Saúde.
Em conclusão, essas restrições, embora drásticas, demonstram a vontade do Canadá de proteger sua população diante de uma grave ameaça sanitária. Os viajantes afetados são incentivados a consultar regularmente as atualizações no site da ASPC e a entrar em contato com as autoridades consulares para qualquer dúvida. A situação continua em evolução e pode ser alterada conforme os avanços no combate ao Ebola.






